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Estamos no Janeiro Branco

Atualizado: Jul 28

Mas por que sua empresa deve promover a saúde mental o ano inteiro?

Segundo estimativas da OMS, cerca de 1 bilhão de pessoas possuem algum transtorno mental, 3 milhões morrem anualmente por consumo excessivo de álcool e uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos.


No Brasil, de acordo com a ABRH, a cada dez afastamentos, cinco estão relacionados a questões emocionais. Soma-se a este número o aumento do uso de drogas lícitas e ilícitas, muitas vezes diretamente relacionado a questões de saúde mental. E a situação parece te ser agravado ainda mais no último ano.


A COVID-19 piorou a situação

O afastamento presencial do ambiente de trabalho, com a adoção do home office durante a pandemia de Covid-19, poderia sugerir que as questões de saúde mental seriam um pouco amenizadas, já que trabalhar em casa pode parecer menos estressante do que o dia a dia de deslocamentos e pressão nas empresas. No entanto, houve um efeito contrário.


As questões emocionais se acentuaram ainda mais no último ano, com a adaptação obrigatória das rotinas, os problemas de convivência e o despertar de sentimentos como solidão e medo em muitas pessoas. De acordo com o SEBRAE, 62% dos trabalhadores em home office estão estressados. Houve, então, o agravamento de quadros psicológicos já existentes e o diagnóstico de novos casos.

O impacto no orçamento das empresas


Apesar dos acontecimentos recentes em razão da pandemia terem reforçado o assunto nas pautas de RH, muito já se fala nos últimos anos sobre o que é possível fazer para proteger e melhorar a saúde mental dos colaboradores diante da onda crescente das doenças mentais. As empresas, antes de quaisquer instituições, percebem o impacto do problema com o adoecimento dos funcionários, o absenteísmo e a consequente redução da produtividade.


No entanto, as doenças mentais são, muitas vezes, invisíveis aos olhos dos gestores e dos profissionais de recursos humanos. O absenteísmo por problemas de saúde é imediatamente notado. Mas o presenteísmo, que significa ter a presença física do colaborador, porém não contar com sua concentração e produtividade, pode camuflar sérios problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade e, muitas vezes, é imperceptível para a empresa. A perda financeira por baixa performance é incalculável nesses casos.


Além disso, as doenças mentais tendem a piorar outras condições de saúde e dificultar a gestão de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial e obesidade. Muitas dessas comorbidades são responsáveis por grande parte dos custos dos planos de saúde. Assim, pode haver um impacto indireto no aumento da sinistralidade e, em seguida, no reajuste do benefício. Portanto, é preciso ter atenção à presença dessas doenças na sua população, principalmente se consideramos que 76% a 85% das pessoas com transtornos mentais graves não recebem tratamento.


Nós, enquanto empresas, temos a responsabilidade de zelar pela saúde mental dos colaboradores, principalmente porque muitos transtornos podem ser causados ou agravados por dificuldades da vida profissional. Além disso, não é segredo que um time saudável tende a ser mais produtivo e engajado, com pessoas que vivem bem e trabalham com excelência.

O que fazer para melhorar a saúde mental do time?

Felizmente, já existem diversos recursos para mapear e gerir as questões de saúde mental entre os colaboradores de uma companhia. Nesse processo, a integração dos dados de saúde é importante para melhor coordenação do cuidado e realização de uma gestão analítica, com a identificação de fatores de risco e perfil populacional. A tecnologia nos permitiu, por exemplo, criar um Dashboard de Saúde Mental, que possibilita ao gestor ter uma visão global do estado emocional dos funcionários. Identificam-se pontos de atenção, para que ações possam ser implementadas precocemente, minimizando o agravamento dos quadros e reduzindo os riscos financeiros.


A partir de um mapeamento, sua empresa pode implementar um programa de saúde mental. E, para isso, será necessário contar com suporte médico especializado e também psicológico para tratar do seu time. Seja por meio de uma consultoria como a iTech Care ou de uma equipe de saúde própria devidamente preparada e direcionada para esse objetivo, o olhar e a intervenção de profissionais da área serão essenciais para o sucesso de qualquer programa de saúde mental.


Um bom programa deve identificar os casos, mas também intervir e trabalhar para reabilitá-los. Além do mapeamento, o programa deve possuir estratificação de risco, oferecer diferentes níveis de intervenção (promoção de saúde mental, prevenção e gestão de problemas mentais) e ter indicadores-chave para o monitoramento. Tudo isso com o apoio das lideranças.


Sua empresa pode também adotar recursos como apoio psicológico presencial ou remoto, aconselhamento especializado e até aplicativos que fazem o acompanhamento diário do estado emocional das pessoas e geram indicadores. Além disso, não devemos esquecer que as doenças emocionais são multifatoriais. Então, é possível oferecer um cuidado integrado, por meio de ferramentas que promovem o bem-estar físico e mental, como prática de exercícios, nutrição adequada, meditação, metodologias para trabalhar melhor e outros hábitos que auxiliam no equilíbrio emocional dos indivíduos.


O mais importante para que o programa seja verdadeiramente efetivo é que ele trabalhe para gerar cultura de saúde mental na empresa.

Por que prevenir é o melhor remédio?


Até aqui falamos sobre a gestão de casos existentes e doenças já instaladas. Como em qualquer situação, na saúde mental vale a regra: é melhor prevenir do que remediar. A prevenção custa menos, tanto financeiramente para a empresa, quanto emocionalmente para o colaborador.


As ações da empresa, além de cuidar dos colaboradores que estão afetados e diagnosticar os novos casos, precisam direcionar esforços para acompanhar e proteger os funcionários produtivos que estão em bom estado emocional. Para o trabalho de prevenção, os dados de saúde serão, mais uma vez, essenciais. Os dados permitem o acompanhamento da utilização dos serviços de saúde, possibilitando ao time médico intervir diante dos primeiros sinais de incidência de novos casos.


Por fim, é preciso tratar as doenças mentais com naturalidade e sem tabus. Realizar campanhas de conscientização, que falem de maneira transparente sobre o tema, além de promover o acolhimento das pessoas que estejam com alguma vulnerabilidade emocional, são estratégias para tornar o ambiente da sua empresa receptivo ao assunto. Mais do que nunca, os gestores de RH precisam estar preparados para lidar com o impacto das questões de saúde mental nas organizações. Porém, na mesma medida, surgem novos recursos muitos eficientes para lidar com o problema.